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A Engenheira Especializada em Prédios Altos Que Tem Medo de Altura

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Em casa, subir em uma simples escada de dois metros de altura é o suficiente para lhe causar vertigem e pavor. Entrar em um avião, então, é uma experiência aterrorizante. Porém, basta calçar as botas e colocar o capacete de obra para que a engenheira civil Stéphane Domeneghini passe por uma espécie de metamorfose. Nessas horas, o medo desaparece por completo, permitindo que ela caminhe sozinha sobre andaimes a mais de 200 metros de altura, presa apenas por um cinto de segurança.

“É como se existisse uma outra pessoa dentro de mim que vira um monstro, um dragão, que nada nem ninguém tira aquela força”, afirma. 

Stéphane é diretora executiva da Talls Solutions, uma empresa que presta consultoria técnica a projetos de alta complexidade, entre eles arranha-céus. Em seu currículo constam participações em mais de 200 prédios, sendo 50 deles acima de 50 andares, todos acima de 150 metros de altura e com valor de vendas que ultrapassam as dezenas de bilhões de reais. Entre eles está o Senna Tower, projeto de 550 metros de altura daFG Empreendimentos, localizado em Balneário Camboriú (SC).

A origem

A mulher que chegou ao topo da engenharia civil quando se trata de arranha-céus e virou referência no mundo quando o assunto são estruturas altas nasceu em Cerejeiras, uma pequena cidade localizada em Rondônia. Filha de um mecânico e de uma dona de casa, ela é fruto de uma tentativa da família, originalmente do Sul do País, de conseguir terras na região Norte. Hoje à frente de projetos bilionários, ela teve uma infância marcada pela escassez, em que a energia elétrica era um luxo.

A família dependia de um gerador que funcionava apenas duas horas por dia, tempo suficiente para que sua família pudesse tomar banho e assistir à novela. A situação levou seu pai a desistir do acampamento e retornar com a família para Marau, no interior do Rio Grande do Sul, onde recomeçou a vida abrindo um ferro-velho. 

Influência familiar e pacto pela excelência

Estudante de escola pública, ela teve sua determinação forjada por duas figuras centrais. A primeira foi sua mãe, dona de casa que exigia um nível absoluto de perfeição acadêmica, cobrando que ela fosse sempre a melhor aluna da turma. A segunda foi seu avô paterno, um ex-seminarista que costumava lhe contar histórias sobre o Egito Antigo e o Rio Nilo, despertando na neta o interesse pela arqueologia e a estimulando para sair do interior do Rio Grande do Sul para conquistar seus sonhos.

“Você é inteligente, vá além, saia daqui”, dizia o senhor Hermes Domeneghini, filho de italianos de quem ela herdou o sobrenome que mantém mesmo após casada.

A destreza em cálculos complexos veio de fato curioso. Após tirar uma nota 5,7 em matemática na 5ª série (atual 6º ano do ensino fundamental) por ter faltado às aulas devido a uma crise de asma, Stéphane teve uma crise de pânico achando que sua vida estava arruinada. Fez, então, um pacto consigo mesma: só tiraria nota 10 na disciplina dali em diante. E cumpriu rigorosamente. 

Sabendo que a família jamais teria condições de pagar uma universidade, ela conquistou uma bolsa do Prouni para cursar universidade próximo à cidade onde morava. Inicialmente ela cursou psicologia, não gostou e mudou o rumo para as exatas, inicialmente em engenharia elétrica.

À contragosto da família e antes de completar 18 anos, tomou a decisão de fazer as malas e, “na cara e na coragem”, segundo suas palavras, mudar-se para Balneário Camboriú para morar com o namorado, hoje seu marido, e cursar engenharia civil.

Olhando para o alto

Ainda cursando a faculdade, ela conta que certo dia saiu para caminhar pela orla de Balneário Camboriú, onde admirava os espigões em construção. Apesar de não serem tão altos como são hoje, eles já flertavam com os 30 andares. “Pensava que trabalhar naquelas construtoras [responsável por erguer os prédios] era um sonho inatingível, um espaço reservado apenas a estrangeiros ou herdeiros”, afirma.

Acima, a arquitetura única do Senna Tower;
DivulgaçãoSenna Tower terá 550 metros de altura; Stéphane é a responsável pela engenharia do projeto

A virada de chave aconteceu durante uma seleção de estágio na construtora Embraed. Enquanto aguardava na recepção, ela lia o livro de antropologia “Mitos de Luz”, de Joseph Campbell. O entrevistador, que era budista, ficou fascinado ao ver uma candidata de engenharia lendo sobre mitologia. A conexão foi imediata e, além disso, Stéphane diz ter obtido o primeiro lugar na prova técnica, garantindo assim a sua entrada em um mercado que estava prestes a explodir no país. 

Furacão de desafios técnicos

Após trabalhar no início da carreira na Embraed, empresa que já lançou dezenas de arranha-céus no Sul do País, entre eles o Tonino Lamborghini Residences Balneário Camboriú, com 170 metros, ela decidiu migrar para a concorrente, a FG Empreendimentos. No início dos anos 2000, a FG lançou um ambicioso plano de erguer os prédios mais altos do Brasil, e Stéphane decidiu surfar essa onda.

A nova empresa trouxe um “furacão técnico” de complexidades. E o motivo estava justamente na altura dos prédios, já que consultores diziam que os projetos não parariam em pé na orla catarinense por problemas relacionados à dinâmica e túneis de vento. Em resumo, esses testes são feitos para saber qual é a ação de fortes ventos  sobre as torres, de modo que elas não acabem, literalmente, sendo levadas pelos ares. 

“Em vez de ficar assustada por  ter entrado nesse furacão, eu comecei a estudar”, diz. “Se alguém perguntasse um número, eu precisava saber a norma, a base, o cálculo e o porquê”,afirma a engenheira.

Stéphane diz que, na faculdade, os engenheiros aprendem a calcular um prédio de forma estática, ou seja, para ficar totalmente parado. Porém, quando se ultrapassa os 50 andares, entra em cena a chamada “dinâmica”, ou seja, a dinâmica calcula quanto um gigante de concreto pode balançar e ainda continue seguro. 

A tese foi posta em prática em diversos projetos, inclusive no Epic Tower, com 190 metros de altura e 55 andares, Boreal Tower, com 241 metros de altura dispostos em 60 andares, e no  One Tower, com 290 metros de altura distribuídos em 84 pavimentos, sendo 70 deles residenciais. Em todos a engenheira tem participação.

Jurada de prédios altos

As quase duas décadas de envolvimento com prédios altos e super altos rendeu a Stéphane reconhecimento internacional. Em 2024, durante o congresso do CTBUH (Council on Tall Buildings and Urban Habitat), a principal autoridade mundial quando o assunto são prédios altos, ela foi, ao mesmo tempo, palestrante e jurada.

No evento, realizado em Londres e Paris, a brasileira apresentou o resultado de cinco anos de estudos para erguer o Senna Tower e também uma pesquisa com exemplos de todo o mundo sobre inovações em estruturas e fundações para arranha-céus. Além disso, ela compôs o júri de premiação das Américas, que selecionou os principais projetos daquele ano na região.

Você sabe com quem está falando?

Os dados mais recentes indicam que, embora as mulheres representem 60% do total de arquitetas no Brasil, na engenharia elas somam apenas 20% dos cerca de um milhão de profissionais na área no país. E esse número é ainda mais reduzido em cargos de chefia.

Inserida em um ambiente majoritariamente masculino, Stéphane afirma que teve que enfrentar machismo. Chegou a chorar diversas vezes trancada no banheiro devido a humilhações no canteiro de obras. 

Para não ser silenciada pelo “ego” ou pelos “anos de experiência” ou por frases como “você sabe com quem está falando”, entre outras que os homens atiravam contra ela, segundo diz, Stéphane se fiou naquilo que a ajudou a transformar de vida: os estudos.

“Nos primeiros cinco minutos, as pessoas podem entrar confiantes em uma reunião pensando ‘lá vem a guria’. Mas, com argumentação técnica firme, não tem ninguém que sobreviva a uma reunião comigo sobre prédios altos”, diz a executiva. 

Atualmente ela gerencia dezenas de engenheiros e projetistas em projetos espalhados por todo o mundo. A menina que veio do interior de Rondônia, se firmou na “Meca dos arranha-céus” do Brasil e se tornou referência mundial no assunto, ainda continua com medo de subir em escadas ou mesmo viajar de avião, mas não se inibe ante aos mais altos desafios que já enfrentou até agora em sua vida.

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